Resenha do livro "Favela Gótica"






Título Original: Favela Gótica
Autor: Fabio Shiva
Ano: 2019
Editora: Verlidelas
Páginas: 169 
Onde comprar: Editora Verlidelas

 

E-book gentilmente cedida pelo autor.


          Quando comecei a ler “Favela Gótica” estava com um tipo de história na cabeça, mas não era nada do que imaginava. É uma mistura de drama, ação policial, uma pitada de distopia e com um ar de universo sci fi. É um livro nacional diferente dos demais que já li, onde acontece de tudo um pouco.

          O livro conta a história de Liana, uma garota pobre que mora em uma favela e é dependente de uma droga chamada Z, que aos poucos transforma o dependente em zumbi. No decorrer da trama, iremos acompanhar sua vida que passa por situações terríveis por causa dessa droga e outros fenômenos que irão acontecer. 





          É uma história um pouco bizarra, pois as pessoas possuem uma anomalia denominada “Mal de circe”, onde as deixam com fisionomia de animais e dependendo da sua ocupação ou grupo social em que vivem, é um animal característico. Há algumas cenas de violência na trama, mas para deixar no clima apavorante. Mas essa violência é do tipo dos filmes de terror.


“Então, um dos cinzentos a agarra pelo pescoço. Com um gesto brusco e sem fazer muita força, o servidor arranca fora a cabeça de Tina, junto com as vértebras do pescoço. Imediatamente os outros dois se entregam a tarefa de desmembrar a garota”.


          Narrado em terceira pessoa, a obra traz um enredo que achei no decorrer da narrativa, parece que foi ficando meio confuso, pois vozes falavam com Liana e elas eram transcritas entre uma cena e outra, mas conforme vai se chegando ao final da trama, tudo vai se esclarecendo e conseguimos entender essas conversas entre Liana e sua consciência. 
 
 
 
 
 

          E mesmo com toda essa narrativa um pouco fantástica, se assim podemos dizer, aparecem situações difíceis que as favelas passam na realidade, como as invasões policiais e as chacinas que acontecem, torturas e vítimas inocentes sendo assassinadas, além do tráfico de entorpecentes. Outros assuntos polêmicos como prostituição e o menos abandonado também estão presentes.


“Então é mesmo tudo verdade. Pensei que eu estivesse pirando de vez, com aquela vozinha apertando minha mente sem parar”.


          O que gostei muito do livro é o fato da história não ficar em apenas uma única sequência, várias situações são apresentadas na obra, cenas diferentes aparecem, mas ao mesmo tempo dando sentido no que está sendo contado, não deixando a leitura chata, nem arrastada, pois sempre há novidades chegando para nós.
 
 
 
 
 

          O final da história também foi bem exótico. Bem enigmático e bem sci fi. E fica uma sensação de continuidade, fica aquela pergunta no ar do que irá acontecer daqui para frente. Se você ficou curioso para saber como que foi, só lendo “Favela Gótica”, que ira se surpreender com cada página lida. Recomendo.


@Gustavo Barberá – 14/05/2019.
 

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4 comentários:

  1. Gratidão pela linda resenha e por sua leitura atenta e talentosa, caro Gustavo!
    Salve nossa Literatura Brasileira!

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  2. ola , otima dica de leitura , gosto de história com o final enigmatica ,
    de escrita onde acontece de tudo um pouco , que não fica na mesmice. já quero ler Favela Gótica.

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  3. Olaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
    Fui procurar "distopia". Lá diz que é anti utopia. Como assim, algo real? Não entendi. A vossa rede nacional é muito boa, já li alguns através duma parceria. São top!
    Meu querido Colega, eu já ouvi falar dessa droga ai. Não estou brincando. Acho que já existe ou foi alusivo a este livro.
    A droga irá sempre destruir. Não só neste livro como em "Viagem ao Mundo da Droga" e "Filhos da Droga". Quanto à realidade, nunca presenteei, nem quero, mas sei que sim.
    "Mal de circe" faz-me lembrar o circo e eu detesto. Só ia por causa da prenda, é real. Eles mal tratam os animais e os Palhaços, nem nos filmes de terror têm graça.
    Isso de nos tornarmo-nos noutro animal conforme o nosso estatuto tem ai uma bela metáfora.
    Narrar na terceira pessoa é qualquer coisa. Eu sempre escrevi na primeira pessoa e desafiei-me. Custou.
    Eu estou a ler e a comentar ahahaahah
    Eu acho que a Liana é esquizofrénica, só um pouquinho...
    Eu já ouvi dizer que a realidade nos morros são assim.
    Fiquei curiosa, sim, mas... Meu anjo, tenho 200 e tal para ler. Vou-te contar um segredo: comprei um livro recentemente. Foi prenda de aniversário para mim própria, não conta ahaahah
    Beijokitaz




    www.devaneiosdemissl.com

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  4. Olá, Gustavo.

    Gostei da história misturar um pouco da realidade, que é a questão da favela, com a ficção.
    Fiquei curiosa para conhecer mais sobre o enredo e também descobrir o que esse final nos proporciona.

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