Destino: inferno

 


 

 

Destino: inferno

 

     Rebeca corria desesperadamente pela densa floresta que abraçava seu medo e aflição. Seu rosto era chicoteado pelos espinhos e galhos secos que faziam seu rosto sangrar. Pegando um atalho para chegar logo em casa, ela não imaginava o erro fatal que estaria cometendo.

 

     Seus pulmões queimavam, precisava de ar. Não sabia quanto tempo mais aguentaria. Estava perdida na imensidão daquele local iluminado apenas pela lua, que logo foi coberta pelas nuvens, para piorar sua agonia. Estava confusa, atordoada, pois tudo aconteceu a um piscar de olhos. Aquele ser diabólico, iluminado pela luz do luar, no meio da estrada, como que a estivesse aguardando. Ela brecou de uma forma brusca e quase capotou. Do nada, uma risada demoníaca e um cheiro acre de enxofre invadiu suas narinas. Era o cheiro da morte.

 

     Sem menos esperar, a jovem sentiu seu corpo ir ao chão. Tropeçou forte em uma raiz que arrancou cruelmente a unha de seu dedão. O sangue jorrava e ela urrava de dor. Era seu fim. Ela teve a sensação de estar sendo observada por lobos. Aquele cheiro insuportável a envolvia novamente, só que dessa vez, ouvia rosnados de animais sedentos por sangue.

 

     Sentiu a adrenalina correr em suas veias, se levantou e, mesmo com seu pé ferido, saiu em disparada. Viu luzes distantes. Era outra estrada. Correu o máximo que pôde e se livrou daquele lugar que desejava devorá-la. Viu um carro se aproximar. Era um táxi.  Sentiu-se aliviada. Deu sinal e o veículo parou.

 

     Sem ao menos perguntar se o taxista estava disponível, entrou e o carro começou a se movimentar. Em prantos, Rebeca disse:

 

     - Obrigada por me ajudar. Estava correndo risco de vida.

 

     O taxista nada respondeu:

 

     - Espera, como já está andando se eu não falei meu destino?

 

     De repente, uma risada sinistra e já conhecida fora emitida por ele e o interior do carro consumido por aquele odor insuportável novamente. Ouviu-se as travas das portas sendo acionadas. Rebeca olhou pelo retrovisor e o sangue congelou em suas veias. Ela tentava gritar, mas sua voz não saía.

 

     Era chegado o seu fim.

 

@Gustavo Barberá (Leitura Enigmática)

 06/06/2021 


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