Entrevista com o autor Dialético Souza

 


 

     Rafael Souza e Lima (Dialético Souza), nasceu no bairro Chácara Santana, periferia da zona sul de São Paulo – SP. Trabalhou também por onze anos na máfia dos caça níqueis que atua na capital paulista, o que deu a origem do livro “O Colecionador de Notas – A máfia dos caça níqueis”. Lançou o e-book em 2018 que viralizou em grupos de WhatsApp de funcionários, ex funcionários e donos de casinos clandestinos. O e-book teve mais de 20.000 downloads o que fez com que o autor recebesse ameaças de morte de pessoas ainda ligadas à máfia, que o fez mudar de estado e a oportunidade de lançar o livro físico.

 

LE: Lendo sua obra, fiquei pensativo da sua coragem de ter citado essas pessoas poderosas do ramo do jogo. Você não ficou com medo de algo poder ter acontecido com você ou seus familiares? As ameaças de morte que recebeu não o deixou preocupado?

 

DS: No momento em que eu escrevi o livro eu jurava que os leitores seriam somente o pessoal voltado a literatura, e que se um dia caísse no conhecimento do pessoal da máfia, eu estaria bem longe. Mas foi ao contrário, o lançamento do E-Book viralizou nos aplicativos de mensagens de funcionários, ex-funcionários, clientes e donos de casinos & caça níqueis. De repente eu acordei com a mensagem de que meu livro estava sendo falado em todos os bingos clandestinos e que os chefões queriam meu contato. Aí sim eu fiquei com medo e me escondi na serra, na zona rural da cidade que hoje eu moro, foram muitas ameaças. Apaguei todas as contas das redes sociais e localizações. Depois que a poeira baixou, eu contei para meus familiares, aí eles ficaram morrendo de medo, mas até em tão tudo já havia sido esquecido. Para os chefões da máfia o E-book não passaria de E-Book, mas passou, virou livro físico e não deu em nada.

 

LE: De que forma se encontra o Dialético Souza após estar fora do mundo dos caça níqueis?

 

DS: Graças a Deus melhor do que antes de entrar no mundo da máfia (quem leu o livro vai entender), mas claro que bem diferente da vida que eu levava na época em que eu era da máfia. Hoje toco meu próprio negócio, nem se compara aos lucros dos caça níqueis, mas não tem polícia derrubando meu negócio, ninguém para subornar e nem instabilidade. 

 

LE: Como está sendo a repercussão da sua obra? Está recebendo o retorno que desejava ou esperava mais?

 

DS: A repercussão girou em torno do E-Book, foram mais de 22 mil downloads, muito falatório, diversos números de DDDs diferentes de várias regiões do Brasil me mandando mensagens e elogiando, até mesmo em sites de jogos legais (como: damas, xadrez, bingo e sinuca) que eu costumo jogar todas as noites, eu via no chat comentários sobre minha obra (E-book). Mas como eu disse, eu esperava um público de amantes de livros, mas infelizmente isso eu não tive, o público que eu atingi foram apenas pessoas ligadas a jogatina, como funcionários e clientes/jogadores. Hoje vejo comentários que meu livro físico está "Hypado", mas para mim essa Hype não chega a 10% da repercussão que deu o E-Book.

 

LE: Se arrepende alguma coisa nesse meio tempo que ficou trabalhando nesse ramo?

 

DS: Não, acho que me arrependo de ter causado meu próprio fim na jogatina e não ter me expandido.

 

LE: Há alguma coisa que não colocou no livro e queria ter contado?

 

DS: Sim, eu era muito fã de uma banda, e eu também cantava, isso eu não expus muito. Com o poder que eu adquirir na jogatina, eu virei agiota de dois integrantes dessa banda famosa, até mesmo três integrantes deles cantaram comigo em alguns clips meu e algumas passagens também da jogatina eu esqueci de mencionar.

 

O Leitura Enigmática agradece imensamente pela entrevista e quem ainda não conhece a obra do autor, confira a resenha feita por mim no blog, clicando AQUI


@Gustavo Barberá - 20/11/2020.


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