Projeto #12MesesComClarice2020 Resenha do conto “A imitação da rosa”





Projeto #12MesesComClarice2020

Resenha do conto “A imitação da rosa”


Conto: A imitação da rosa
Livro: Clarice Lispector – Todos os contos
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Ano: 2015
Páginas: 656
Onde comprar:
Amazon

Dando continuidade ao projeto #12MesesComClarice2020, hoje apresento-lhes um conto melancólico e até perturbador, no meu ponto de vista, que mostra o sofrimento e o desequilíbrio emocional de uma mulher.

     Aqui temos Laura, uma típica dona de casa, mas que no texto fica implícito que passou algum tempo em um sanatório e agora está de volta ao lar. Desde então ela tem a obsessão de deixar sua casa totalmente impecável, todos os objetos precisam dar sentido em sua vida.

     Criando uma rotina após seu retorno do hospital, ela tenta manter os andamento de quando estava lá, como tomar um copo de leite todos os dias para manter sua ansiedade, mesmo sem estar com vontade, a pedido do médico.






     Certo dia, ela fica aguardando seu marido Armando chegar para irem jantar na casa de sua amiga de infância Carlota. Mais tarde, Laura vê que algo não está certo, como se ela não pudesse pertencer ao planeta Terra, mas sim ao planeta Marte. Exausta pelos afazeres domésticos, ela adormece com esse pensamento e acorda ao lado de um ramalhete de rosas que comprou no dia anterior pela insistência do vendedor. 



“Eles não falavam, mas tinham arranjado uma linguagem de rosto onde medo e confiança se comunicavam, e pergunta e resposta se telegrafam mudas”.
 


     Ela pega essa flores e manda sua empregada levar as rosas para Carlota em forma de agradecimento ao jantar, mas ao entrega-las para Maria, ela pensa se também não tem o direito de poder ter algo belo em sua vida.






     O conflito se instaura no momento em que Laura se dá conta da existência do ramalhete de rosas. A fragilidade é trespassada pela imagem da perfeição da flor no momento da epifania, habitual no texto de Clarice.



“Como se fosse para tirar o retrato daquele instante, ele manteve ainda o mesmo rosto isento, como se o fotógrafo lhe pedisse apenas um rosto e não a alma”.
 


     Com conteúdo denso, a narrativa se constrói em torno da preparação e da espera. Laura é uma personagem fora de si ao mesmo tempo racional e tranquila, em busca de uma identidade que a própria narrativa vai construindo através das descrições do presente, do passado e do futuro que vão surgindo ao longo do texto.


@Gustavo Barberá – 19/02/2020.


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6 comentários:

  1. Oi, Gustavo! Clarice arrasa, não é verdade? Sua resenha está linda, assim como as fotos! É notável seu capricho e carinho a cada post, parabéns! Esse conto mexeu muito com meus pensamentos, para te falar a verdade, como é algo típico da escrita de Clarice. O próximo que lerei será "Feliz Aniversário", e acho que você também, não é? Abraços!

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  2. Ótima escritura, ainda lembro dos livros dela que li no Ensino Médio! Esse livro não conhecia ainda.

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  3. Que projeto ousado porque Clarice não é pra qualquer um não... rs Amei o conto que você trouxe e me despertou a vontade de ler também.
    Beijos

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  4. Essa mulher arrasada, o que me deixou surpresa foi o conteúdo da obra. Não sabia que Clarice já escreveu algo meio que suspense.. Fiquei bem impressionada.
    Vou procura ler, já que adoro isso

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  5. Oi!
    São poucas coisas que li de Clarice, esse livro ainda não conhecia mas fiquei encantada em saber que toca tão fundo dentro da alma. Parabéns pela resenha estou curiosa para ler e refletir sobre o livro, obrigado pela dica, abraços!

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  6. Olá, tudo bem?

    Li poucas coisas da Clarice, em sua maioria poesias perdidas. Adorei o conto, ainda mais pelo clima de suspense que ele traz. Sua resenha ficou perfeita e me deu curiosidade para ler mais dessa autora.

    Beijos

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