Resenha do livro "Uma canção de Natal"

 




Título: Uma canção de Natal
Título Original:
A Christmas Carol
Autores: Charlie Dickens
Ano: 2019
Editora: Penguin Companhia
Páginas: 136
Onde comprar:
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As celebrações de fim de ano mexem com os sentimentos da maioria das pessoas. Em “Uma canção de Natal”, temos uma história reflexiva e repleta de emoções, mesmo sendo um pouco fora dos padrões. Essa obra clássica do autor Charles Dickens publicada pela primeira vez no ano de 1843 e até hoje atrai novos leitores, sendo uma das histórias mais conhecidas da literatura Ocidental.

 

     O livro conta a história de Ebeneger Scrood, um senhor, já ancião e muito rico, mas de espírito e personalidade amarga, fria e ranzinza. Não gostava de ninguém, chorava a vida e avarento com o dinheiro que possuía, assim como maltratava seus empregados e familiares. E também detestava o Natal, onde todo ano passava sozinho em sua casa. Até que certa noite, na véspera de Natal, ele encara três fantasmas que revelam de forma aterrorizadora seu comportamento e o faz rever seus conceitos.

 

 

     É aquele conhecido ditado “Se não for pelo amor, será pela dor”. É uma leitura meio dark, mas não se preocupe, caso não curta histórias de terror, aqui não teremos cenas de sangue, carnificina ou afins, mas o terror da forma como Scrood atua durante o ano todo será revelado pelos fantasmas, onde um por vez irá visitá-lo e fazer de forma sobrenatural com que ele veja com seus próprios olhos, como se estivesse em um sonho seus erros.

 

     A obra possui uma história sombria, que faz o protagonista sofrer, com toques que assustam um pouco, mas que são necessários para ele, pois assim o mesmo após essa lavagem cerebral, cai na realidade. Esse livro, não sei porque me fez lembrar de algumas cenas do filme “Laranja Mecânica”.

 

"Ficar sentado em silêncio, olhando para aqueles olhos fixos e vítreos, seria demais para ele. Havia algo muito amedrontador, também, no fato de o espectro possuir uma atmosfera infernal própria".

 

     Com um projeto gráfico que ficou bem a cara da história, com as ilustrações originais de John Leech, narrada em terceira pessoa e com um enredo sensacional, a leitura é fluída, mesmo possuindo capítulos enormes. A obra é curtinha e envolve o leitor de uma forma extraordinária.

 

 

 

     Quem gosta desse estilo de leitura, não pode ficar de fora, pois irá gostar, além de conhecer os dois lados do protagonista e que nos fará se estamos agindo como ele, nos fazendo rever nossas atitudes, antes que esses fantasmas nos visitem. E sinceramente, eu não quero essa surpresa. A tradução foi de Rodrigo Lacerda.

 

 

 

Sobre o autor

 

Charles Dickens (1812-1870) foi um escritor inglês, autor dos romances “David Copperfield”, “Oliver Twist”, “Christmas Carol”, entre outros. Foi o mais popular e humano dos romancistas ingleses.

 

Mestre do suspense, do humor satírico e do horror, retrata a Londres de sua época. Foi recebido pela Rainha Vitória como um grande representante das letras inglesas.

 

Em 1833, Charles Dickens envia para o Monthly Magazine uma pequena crônica, sem assinatura. Um mês mais tarde, verifica que seu texto fora publicado e era lido por muita gente.

 

     O sucesso o levou a redigir uma série de crônicas em linguagem leve e fácil, narrando fatos reais e fictícios da classe média londrina.

 

     Assinava-as com o pseudônimo de "Boz", no Morning Chronicle, que era o jornal londrino de maior circulação. Em 1835 publica “Esboço de Boz”, em dois volumes.

 

     Em 1837, “Boz” é convidado para acrescentar textos aos desenhos do artista Seymour, para publicá-las em capítulos mensais.

 

     Dickens aceita e impõe que, ao invés de redigir de acordo com os desenhos, estes ilustrassem os seus textos. Nasce assim “As Aventuras do Sr. Pickwick” (1837), obra publicada em fascículos.

 

     Dickens conseguiu elaborar uma obra de valor, que, de acordo com a mentalidade vitoriana, descrevia com saudosismo uma Inglaterra romântica e irreal.

 

     Criou duas personagens, “Pickwick” e “Sam Weller”, que recordam Dom Quixote e Sancho Pança, do espanhol Cervantes.

 

     O rápido êxito fazia Dickens concluir um livro e iniciar outro, sem interrupção. A vaidade e a ânsia de reconhecimento público não lhe permitiam descansar.

 

     Em 1838 publica “Oliver Twist”, onde relata os infortúnios de um menino órfão que mora em um albergue e trabalha em uma fábrica, de onde foge para conviver com marginais, mas não se corrompe.

 

     A obra é um sombrio melodrama, o mais sinistro de seus romances, considerado um ensaio social, onde descreve os horrores do trabalho nas fábricas.

 

     No romance seguinte, “Nicolas Nickleby” (1839), Dickens associa o cômico ao trágico. A obra é uma condenação dos internatos, dirigidos por professores perversos e ignorantes.

 

     Em 1842 foi aos Estados Unidos. A princípio recebido como ídolo, provocou a antipatia da imprensa local, ao declarar, em um banquete em sua homenagem, que os editores americanos não pagavam os direitos autorais aos romancistas ingleses.

 

     Em 1843, publicou “Contos de Natal”, que é quase um conto de fadas e tornou-se parte integrante da mitologia natalina anglo-saxônica. Ostros livros com o mesmo tema são: “O Carrilhão” e “O Grilo na Lareira”, ambos de 1845.

 

     Em 1844 viaja à Itália, estabelecendo-se em Gênova, de onde só retornaria um ano depois.

 

     Em 1845, Dickens viajou a Paris, onde conheceu os maiores escritores franceses da época: Vitor Hugo, George Sand, Théophile Gautier e Alphonse de Lamartine.

 

     Charles Dickens faleceu, em consequência de um acidente vascular cerebral, em Higham, Inglaterra, no dia 09 de junho de 1870. Seu corpo foi sepultado na Abadia de Westminster.

 

     Encontra-se escrito em sua lápide: “Apoiante dos pobres, dos que sofrem e dos oprimidos, com sua morte, um dos maiores escritores da Inglaterra desapareceria para o mundo". A casa em que morou foi transformada em museu.

 

 

@Gustavo Barberá – 15/12/2020.

 

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Um comentário:

  1. Ah, acredita que esse é o único conto de Natal que eu gosto? Li dezenas de vezes. Adoro. Assisti o filme, vi a peça. E acho que quero essa edição que ainda não tenho. rs Sou dessas.

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