Título Original: Palavras interrompidas
Autor: Marcos DeBrito
Ano: 2021
Editora: Faro Editorial
Páginas: 144
Onde comprar:
Amazon

 

*Obra gentilmente cedida pelo autor

 

     Todo ano fico contando os dias para que chegue a tão esperada notícia: “O livro novo do Marcos DeBrito acaba de ser lançado”. É música para os ouvidos de seus fãs. E em 2021, o autor veio com uma ficção que já se tornou sucesso absoluto no meio literário. “Palavras interrompidas” chegou rompendo barreiras entre o insano e a realidade, junto de um bônus – a história já se tornou adaptação para as telas dos cinemas.

 

     A obra nos conta a história de um pai desesperado pela morte de sua filha, o que o leva a investigar por conta própria esse crime hediondo que quase o leva a loucura. Claro que contei bem por cima a sinopse, pois temos acontecimentos bizarros e estarrecedores, que leva o leitor a duvidar de tudo e todos que compõem essa narrativa.

 

     E como sempre, DeBrito nos presenteia com um enredo muito bem feito, conduzido, estruturado e repleto de plots que nos deixa preso na obra, sendo praticamente impossível querer parar a leitura do tanto que a mesma nos aguça a curiosidade de forma inacreditável, nos fazendo participar da mesma, questionando, nos assustando, deixando-nos irados e em certos momentos até comovidos com o sofrimento do protagonista.

 

“Carlos, petrificado frente ao nefasto juízo que se agigantava em suas entranhas, sentiu mais uma vez o mundo girar”.

 

     Dúvidas. É o que mais apareceu para mim enquanto lia a história, é um jogo de quebra cabeças, onde quando pensamos que iremos encaixar a última peça, tudo se desmorona e temos que recomeçar do zero. E claro que o sobrenatural não poderia ficar de fora, pois não seria Marcos DeBrito escrevendo. Sua marca registrada está presente também de um jeito que perturba o leitor.

 

     O projeto gráfico do livro está belíssimo, me lembrando muito o estilo de “A casa dos pesadelos”, as ilustrações, a diagramação e fonte estão perfeitas, além de uma capa que faz jus do que é abordado na narrativa.

 

     Portando, se ainda não leu essa incrível obra e ficou curioso, não perca mais seu tempo e corra adquirir seu exemplar, pois te digo que ao término dessa leitura, terá mais cautela e valor pela sua vida. O Leitura Enigmática recomenda demais.

 

 

 

Sobre o autor

 

Marcos DeBrito é cineasta, escritor e professor de direção e roteiro. Nascido em Florianópolis, é graduado em cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e especializado em escrita criativa. Teve aulas com Robert McKee em seu célebre seminário Story, a partir do qual criou sua própria oficina de direção e roteiro audiovisual, realizada em diversos locais pelo Brasil, e também o curso Fundamentos de roteiro e narrativa, que ministra na LabPub.

 

Escreveu, dirigiu e produziu curtas e longas-metragens de suspense e terror, pelos quais foi premiado diversas vezes dentro e fora do país; ganhou dois Kikitos no prestigiado Festival de Gramado, em 2001 e 2007. Consolidado na literatura nacional, teve um de seus romances, “A sombra da lua”, indicado ao Prêmio Jabuti de literatura em 2013, e constantemente participa de painéis, eventos e mesas sobre temáticas envolvendo os gêneros terror e suspense. Vive em São Paulo com sua esposa e filhos.

 

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@Gustavo Barberá – 18/10/2021

 

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Poema: O corvo
Livro: Edgar Allan Poe – Medo clássico, vol. 1
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Darkside
Ano: 2017
Páginas: 400
Onde comprar:
Amazon, Darkside

 

 

Olá seres enigmáticos, tudo bem? O Leitura Enigmática, junto com o blog “Conduta Literária” e com o autor Bruno Godoi como patrono estamos com o projeto #lendopoe e hoje é a vez de lhes apresentar a resenha do poema “O corvo” no livro "Medo Clássico", publicado pela Darksidebooks.

 

O corvo encerra essa linda edição com duas traduções: uma feita por Fernando Pessoa e outra por Machado de Assis, que terei como base para escrever essa resenha.

 

Aqui temos novamente um Edgar Allan Poe melancólico, depressivo, arrasado pela perda de sua amada Lenora, onde ele suplica aos céus o porquê de estar passando por esse cálice amargo, levando até em jogo sua sanidade mental, pois um corvo aparece e o autor dialoga com a ave que apenas responde “nunca mais”.

 

“Profeta, ou o que quer que sejas!         
Ave ou demônio que negrejas!    
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!        
Por esse céu que além se estende,       
Pelo Deus que ambos adoramos, fala, 
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la       
No éden celeste a virgem que ela chora           
Nestes retiros sepulcrais, 
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”          
E o corvo disse: “Nunca mais”.

 

A aparição da ave é como se fosse a junção de todas as coisas ruins desse mundo para destruir a lucidez de Poe de vez, pois ele (o corvo) representa mau agouro e a morte, o que deixa o poema com um ar pesado e de absoluta tristeza e melancolia, às vezes de desespero e ira, o que juntos leva qualquer ser humano a loucura.

 

O corvo foi publicado em 1845 no jornal Evening Mirror onde o próprio escritor chegou a trabalhar e é o texto mais famoso e conhecido do escritor até hoje, sendo preservado a sua temática mórbida e macabra, o que representa Poe em seus trabalhos. Se ainda não leu esse sombrio poema, não perca mais tempo e mergulhe nesse mar de palavras e rimas insanas.

 

 

 

Sobre o autor

 

 

Tido por Stephen King como um dos pais do horror moderno, Edgar Allan Poe nasceu em Boston, no estado norte-americano de Massachussets, no dia 19 de Janeiro de 1809, tendo falecido não mais de 40 anos depois , no 7 de Outubro de 1849, em condições misteriosas. A morte, diga-se de passagem, desse indivíduo foi tão misteriosa quanto agitada foi a sua vida.

 

Saiu de casa ainda jovem para tentar ganhar a vida como escritor, a contragosto de seus familiares, em uma época em que, a menos que fosse um Charles Dickens ou um Tosltói , tentar tal empreitada poderia ser uma quase certeza de suicídio financeiro. Foi adotado quando da morte de sua mãe por complicações de parto e, anteriormente, do desamparo em que sua família foi deixada por conta da fuga de seu pai biológico de casa.

 

     Tendo recebido sólida educação quando da infância já no lar de seus pais adotivos, estudou na Inglaterra e voltou para os Estados Unidos trabalhando como crítico literário e publicando poemas e contos. Entre eles está “ O corvo”, poema que fez um tremendo sucesso. Faleceu em condições estranhas, 4 dias após ter sido achado vagando em Baltimore. Da causa mortis estão entre as suposições raiva, tuberculose, sífilis, alcoolismo e doenças cerebrais desconhecidas.

 

 

@Gustavo Barberá – 17/10/2021.